Estava num bar. Desses que não têm uma luz decente. Ajuda nas horas de picotagem. Entra uma figura com uma capa de jedi. JU-RO.
Sentou do meu lado. Sem o mínimo de pudor, perguntei:
- Olha, não é por nada não. Mas a capa de Jedi é porque…?
- Ih, você entendeu a referência? São 50 contos a chupada. É fã de quadrinhos?
- Tu és puta? Não acredito! Te dou 50 contos, pago uma bebida, mas me conta esta tua história.
- Pede uma gin tônica, por favor. E os 50 contos… seguinte, eu tinha uns 17 anos. Comecei com alguns amigos meus. Admito: sempre fui amiga de nerd. Meus amigos nerds eram pessoas excelentes, muito inteligentes e que nunca comiam ninguém. Porra, eu ficava puta com isso. E fiquei de verdade. Não tenho vergonha não. Sou puta, mas me especializei em nerds.
- Faz sentido. Também não ficaria envergonhada.
- Foi pelo social, te dizendo a verdade. Pena mesmo. Um amigo meu que aos 18 anos nunca tinha beijado ninguém e nunca tinha visto peito nem da prima. Foi só pra ajudar, eu juro.
- E ele te pagou por isso?
- Ganhei um playstation em troca. Depois vieram a minha televisão, um notebook… é eles pagam bem. Junta anos de mesada, sem birita nem drogas, pra tu veres?
- E você começou a cobrar 50 contos quando?
- Perdi a vergonha e o discurso social. Ajudar é o caralho! “Chupa o meu sabre de luz” é foda ouvir isso de graça.
- E essa fantasia toda? Devias cobrar mais caro, mana. Sinceramente.
- Ai… esses cosplays me matam. Enquanto a classe se faz de enfermeira, eu tenho que ser a Mary Jane ou a Louis Lane. Estes são os piores, metidos a mocinho, saca? Os caras sempre ficam na dúvida na hora de meter: “será que é correto? E o meu grande amor, como fica?”
- O bom é que pelo menos não tem concorrência, né?
- Mas eu já tou me preparando pra isso. Tou fazendo umas melhorias no material de trabalho. Já orientalizei os olhos e vou botar silicone, ficar assim, que nem um daqueles desenhos que eles adoram, os Mangás. Uma galera novinha que tem me procurado. Adoram isso.
- Pows, e eu sempre dando pra esse povo de graça. Não tem nenhuma dessas coisas que você não use mais? É que o meu namorado é meio fissurado, meio nerd…
- Olha, se tu quiseres comprar, tenho uma lingerie com os botões do joystick do Nintendo. É super instrutivo, principalmente quando eles usam os macetes do jogo.
- Putz! Agora mesmo! Mas e aí, tu tens uma galera fixa? O que tem de amigo meu que ia adorar te conhecer…
- Eu tenho até perdido uns clientes. Ficam confiantes e finalmente vão atrás de mulher. Mas continuam amigos, sempre me ligam pra contar um macete novo ou em que fase eles estão no jogo com a namorada.
- Taí… gostei de ti. Te arranjo uns clientes novos. Tem uns emos aí que eu conheço…
– Ah… esses emos podem mesmo até ser uma boa, um bando de moleque sem coragem na vida, mas sei não. Não sei se ia agüentar alguém chorando enquanto goza.
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Uma das personagens da nova temporada do meu show.
Eu sei, eu fazia mesmo só stand-up.
Mas agora vão ter personagens também. Montando a puta nerd ainda. Voz, roupa, trejeitos.
Aguardem também pela Weblen Nogueira, blogueira, orkuteira e tuiteira.Tem que aceitar! Não gostou? então bloqueia!
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Uma puta nerd
28 Fevereiro, 2009
Stand-up
28 Agosto, 2008
A partir da sexta (dia 05/09/2008), começarei a fazer stand-up no Clube da comédia. Com o nome “Idéias levianas de pernas abertas”, os textos serão 80% sobre mulheres e as nossas doidices cotidianas.
O resto é o que sobra do blog e das minhas leviandades.
Aqui estão duas artes que eu fiz. E o release do show.
Anne Fonseca é redatora publicitária, blogueira, humorista e causadora de problemas.
O mal-humor costumeiro deixou de ser fonte de terapia quando descobriu que as pessoas aceitam xingamentos desde que sejam ditos com um sorriso no rosto. Dona de textos vulgares e inteligentes, ela faz stand-up pra reclamar de tudo e mandar a galera se fuder tranquila antes que o seu marido tampe os ouvidos.
Toda sexta, no Clube da Piada.
Cliquem e vejam grandes.
