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This is it

9 novembro, 2009

Sou daquelas pessoas que adora a música pop. Eu admito. Sem medo, sem dor, sem rancor com a indústria. Sei que disso surgem os monstros Calypso, Tati quebra Barraco e afins. Mas tudo tem um lado ruim, né?

O que eu defendo é que a música Pop é um dos nossos paraísos artificiais mais eficazes. Se não fosse alguém cantando, dançando, curtindo e dizendo coisas pelas quais todos passamos, seria meio difícil desligar dos problemas, não conseguiríamos viver bem. E a música pop é uma das melhores formas de diversão sem cobranças que pode existir.

Pelo menos, a música pop que eu conheci. Quando ia pro colégio ouvindo o rádio, quando passava tardes vendo TV e brincando na sala.

A música que não era só som grudento, mas tinha que ter dança, movimento, energia. Tudo fazia e faz parte de um espetáculo. E é de espetáculo que precisamos quando estamos descansando no fim da noite, depois de termos nos esforçado tanto pra ganhar o pão.

E quem sabe fazer espetáculo, transforma mesmo o nosso dia-a-dia.

Mostra que existe um momento em que você pode esquecer aquela conta a pagar e só dançar. Pelos 3 minutos daquela música, ou durante o show inteiro, temos a sensação de que estamos nos divertindo de verdade. E eu acho isso importante. Porque a minha vida não é um luxo. Porque eu acordo à noite e me sinto sozinha enquanto fumo um cigarro, tomo uma água e penso qual a razão de eu ter que acordar no dia seguinte.

Eu preciso ver alguém usando o corpo e a música pra mostrar como a vida pode ser leve. Pode caber num refrão.

Todo este discurso é pra eu dizer que entendo a função de uma Madonna, de um ser como o Michael Jackson.

Entendo também o porquê de tanta comoção quando ele morreu. Sério. Entendo porque pessoas choraram e velaram o ‘suposto’ corpo.
Eu também senti dor. Eu, que já conheci o Michael branco, senti como se tivesse perdido um ente querido. Parece balela, eu sei, mas é pura verdade.
Enquanto ele estava fora dos palcos por dez anos, foram nestes anos que eu conheci o MJ negro.
Cantei ‘beat it’ durante o banho, dancei ‘abc’ enquanto fazia faxina e ouvi uma coletânea especialmente gravada pra viagem do fim de semana.

Sei também que muita gente quis aparecer e mostrar uma falsa dor. Mas quem pode culpá-los? Tudo é parte do espetáculo. Um espetáculo mal feito. E nada digno do grande artista que Michael foi.
Fui assistir hoje o This Is It.

Fui com o coração ansioso, com a vontade de controlar o choro. Tinha certeza do choro em litros, afinal eram os últimos ensaios do REI DO POP. Pra mim, era óbvio o sentimentalismo forçado, assim como o escândalo daqueles que ouviram falar do Michael apenas há alguns meses. Tive sorte e minhas expectativas foram por água abaixo.

O documentário traz exatamente só os ensaios e preparações para o show. Nada de vida, nada de cansaço, nada de lágrimas. O que se vê é um artista EXTREMAMENTE talentoso, trabalhando com muita gente competente demais e um homem que sabe controlar o que quer com doçura (desejando bênçãos e “falando isso com amor”).

Eu sabia que ele era safo, cantava como um deus, dançava como um anjo, mas eu não tinha certeza do quanto ele era seguro de cada detalhe, como ele controlava todos os movimentos do corpo de quase 50 anos e dos músicos, dançarinos, marcações, enfim… tudo no palco.

Um artista talentoso em absolutamente tudo o que fazia. Talentoso e dedicado. Isso é quase impossível de achar hoje em dia e em qualquer tempo.

Por isso ele É o REI DO POP.

E também porque tinha uma luz, tinha cuidado, tinha sensibilidade. Ao contrário do que muitos dizem, ele era completamente são e consciente. Sabia do cuidado com a voz e o corpo nos ensaios, queria guardar o melhor pro show.

Mas em alguns momentos cantou de verdade, se empolgou dançando, se divertiu com os dançarinos e músicos. Mostrou que ainda é um negro de sangue e formação: pediu mais volume pro contrabaixo (instrumento que ele cobra mais ‘funk’ algumas vezes no ensaio).

O filme diverte. E muito.

Faz a gente esquecer que ele morreu e choramos oceanos, que voltamos a ouvir todas as músicas dele por alguma razão. Faz a gente, principalmente, querer assistir aquele belíssimo show que estaria por vir.

Cantamos junto. Batemos palma. Dançamos com os ombros. E, como eu disse no começo, a música pop serve pra isso: ser o circensis, o paraíso artificial.

Saí do filme feliz. Mesmo.

É bonito ver tanto talento trabalhando, fazendo coisas belas.
Falo sem rancor nenhum.
Sem me preocupar se ele fez alguns dos discos mais vendidos da história, comia criancinha, apanhava do pai, gastava fortunas, fazia música pra ganhar dinheiro.
Falo isso porque Michael foi meu circo, mas também o pão em muitos momentos da minha vida e cantou baixinho I’ll be there quando eu acordava de madrugada.

Falo isso com amor.

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One comment

  1. Olá, desculpe pela demora, mas quero agradecer pela visita no meu blog… Aproveito a oportunidade para te parabenizar pela qualidade do seu blog…
    Caso queira visitar novamente, fique à vontade…
    Caso tenha alguma sugestão, comente, sua opinião é importante para a evolução do nosso conteúdo…



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