Posts Tagged ‘stand-up’

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Uma puta nerd

28 fevereiro, 2009

Estava num bar. Desses que não têm uma luz decente. Ajuda nas horas de picotagem. Entra uma figura com uma capa de jedi. JU-RO.
Sentou do meu lado. Sem o mínimo de pudor, perguntei:
– Olha, não é por nada não. Mas a capa de Jedi é porque…?
– Ih, você entendeu a referência? São 50 contos a chupada. É fã de quadrinhos?
– Tu és puta? Não acredito! Te dou 50 contos, pago uma bebida, mas me conta esta tua história.
– Pede uma gin tônica, por favor. E os 50 contos… seguinte, eu tinha uns 17 anos. Comecei com alguns amigos meus. Admito: sempre fui amiga de nerd. Meus amigos nerds eram pessoas excelentes, muito inteligentes e que nunca comiam ninguém. Porra, eu ficava puta com isso. E fiquei de verdade. Não tenho vergonha não. Sou puta, mas me especializei em nerds.
– Faz sentido. Também não ficaria envergonhada.
– Foi pelo social, te dizendo a verdade. Pena mesmo. Um amigo meu que aos 18 anos nunca tinha beijado ninguém e nunca tinha visto peito nem da prima. Foi só pra ajudar, eu juro.
– E ele te pagou por isso?
– Ganhei um playstation em troca. Depois vieram a minha televisão, um notebook… é eles pagam bem. Junta anos de mesada, sem birita nem drogas, pra tu veres?
– E você começou a cobrar 50 contos quando?
– Perdi a vergonha e o discurso social. Ajudar é o caralho! “Chupa o meu sabre de luz” é foda ouvir isso de graça.
– E essa fantasia toda? Devias cobrar mais caro, mana. Sinceramente.
– Ai… esses cosplays me matam. Enquanto a classe se faz de enfermeira, eu tenho que ser a Mary Jane ou a Louis Lane. Estes são os piores, metidos a mocinho, saca? Os caras sempre ficam na dúvida na hora de meter: “será que é correto? E o meu grande amor, como fica?”
– O bom é que pelo menos não tem concorrência, né?
– Mas eu já tou me preparando pra isso. Tou fazendo umas melhorias no material de trabalho. Já orientalizei os olhos e vou botar silicone, ficar assim, que nem um daqueles desenhos que eles adoram, os Mangás. Uma galera novinha que tem me procurado. Adoram isso.
– Pows, e eu sempre dando pra esse povo de graça. Não tem nenhuma dessas coisas que você não use mais? É que o meu namorado é meio fissurado, meio nerd…
– Olha, se tu quiseres comprar, tenho uma lingerie com os botões do joystick do Nintendo. É super instrutivo, principalmente quando eles usam os macetes do jogo.
– Putz! Agora mesmo! Mas e aí, tu tens uma galera fixa? O que tem de amigo meu que ia adorar te conhecer…
– Eu tenho até perdido uns clientes. Ficam confiantes e finalmente vão atrás de mulher. Mas continuam amigos, sempre me ligam pra contar um macete novo ou em que fase eles estão no jogo com a namorada.
– Taí… gostei de ti. Te arranjo uns clientes novos. Tem uns emos aí que eu conheço…
– Ah… esses emos podem mesmo até ser uma boa, um bando de moleque sem coragem na vida, mas sei não. Não sei se ia agüentar alguém chorando enquanto goza.
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Uma das personagens da nova temporada do meu show.
Eu sei, eu fazia mesmo só stand-up.
Mas agora vão ter personagens também. Montando a puta nerd ainda. Voz, roupa, trejeitos.
Aguardem também pela Weblen Nogueira, blogueira, orkuteira e tuiteira.Tem que aceitar! Não gostou? então bloqueia!

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Prefiro ter um filho VIADO do que um filho caixa da Yamada!

22 agosto, 2008

Lembrei hoje do grande Marcelo Mansfield quando fui comprar um refrigerante na Yamada durante o almoço.
Eu fiquei PUTA!

Situação: Peguei o refrigerante na geladeira da Yamada. Puta! Tava quente. Porque eles colocam aquela porra de geladeira se os refrigerantes ficam quentes lá dentro? Sempre. Em qualquer hora do dia, sempre os refrigerantes ficam quentes ali dentro. É uma enganação total! Você olha os refrigerantes fora da geladeira e pensa: tou com sede, não vai dar pra beber agora. Aí você vê as geladeiras, e os refrigerantes lá dentro. Você pensa que é um oásis e a porra não passa de uma miragem!
Mas enfim, eu fui levando o refrigerante pro caixa e entreguei dez reais pra caixa. Que nem bom dia me deu. Não sei se por falta de educação ou porque estava naquele horário que você não sabe se diz “bom dia” ou “boa tarde”. Logo eu descobri que era por falta de educação mesmo.
Caixa: Você não tem R$5,00?
Anne: Não.
Caixa (com aquele tom de “não fez a lição? não tem sobremesa”): Ah. Então você vai TER que esperar pelo seu troco.
Anne (com aquela voz de “Do you know who I am?”): Como é que é? Eu VOU TER que esperar o meu troco? Que tipo de caixa não tem troco pra dez reais? Como assim eu VOU TER que esperar? Você não sabe dizer: eu estou sem troco, a senhora pode esperar um pouco?

Depois de dar o sermão na caixa, que me olhava como se eu tivesse com herpes por todo o rosto, eu olhei pra trás esperando uma expressão de apoio da pessoa depois de mim. Nada! O cara me olhou como se eu fosse um travesti histérico brigando com o meu macho.
Fiquei puta!
Anne: Olha aqui, se tu gosta de ser maltratado, traz o chicotinho que eu te bato. Mas eu não!

Peguei o troco e saí bufando do supermercado.

Como diz o fantástico Mansfield:
Prefiro ter um filho VIADO do que um filho caixa da Yamada.